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Eduardo Alexandre
Editor
Marcus Ottoni

“Preocupado com as eleições de 2006, quando pela primeira vez entrará numa disputa sem o "monopólio da ética", o PT cobra de Lula maior frouxidão nos gastos públicos para realizar obras nos Estados e vitaminar projetos eleitorais de seus candidatos.”
KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online
Karl Leite

“As ruas e praças que protegiam o Grande Ponto tinham nomes líricos: Praça da Alegria, hoje Padre João Maria; Praça das Laranjeiras; Rua do Fogo, hoje Padre Pinto: Rua Nova, hoje Av. Rio Branco; Rua da Palha, hoje Vigário Bartolomeu. Mais parecia o Vaticano, com o devido respeito. Por pouco, o Grande Ponto não virou Praça São Pedro. Para isto, resistiu heroicamente. Rua da Estrela; travessa do Tesouro, que ligava a rua da Conceição à rua Nova. E, plagiando Bandeira, como eram lindos os nomes das ruas da minha infância...”
José Maria Guilherme
“Na Rua da Palha, atual Vigário Bartolomeu, existia o Cantão da Potiguarânia, nome de um bilhar de Ezequiel Wanderley. Era o Cantão mais descontraído da cidade, freqüentado na sua maioria por jovens, que trocavam idéias sobre arte, literatura, jornalismo, tudo, enfim, que no momento atraísse a atenção da cidade. Freqüentavam religiosamente este Cantão: Uldarico Cavalcante, Antônio Marinho, Gothardo Neto, Sebastião Fernandes, Ferreira Itajubá, Pedro Melo, Aurélio Pinheiro, Cícero Moura, Celestino e Segundo Wanderley, José Pinto, Francisco Palma, entre outros.”
João Gothardo Emerenciano
Prosa do Beco
Aroldo Martins
"Natal é um vale branco entre coqueiros
Logo que desce a luz das alvoradas
Vai Barra afora as velas das jangadas
Cessam no rio as trovas dos barqueiros"
Ferreira Itajubá
O poeta nasceu no Beco, ruela por detrás da Vila Odila, vizinha da Vila Cremilde. Água de beber a um pulo da Cruz da Bica, dois pinotes do Tissuru, tudo tão de perto, fácil alcance. Dealbar dos dias de ontem, pisara a lama primeva, atravessando a Praça da Alegria e indo para a Rua Grande em busca do lirismo dos quintais pobres.
Beco da Tatajuba, Beco do Engole, Beco do Buscapé, Beco da Lama. O resto é o mundo ingrato, sáfaro, hostil, mundão de ruas esquisitas, de perigosas avenidas. O rei dos becos é o Beco da Lama, centro nervoso e geográfico desde o começo das primeiras habitações.
Depois do Beco, a pequena Igreja Matriz derreada ante a mágica visão do Potengi com suas catraias e seus barcos de mastros gurupés. A colina é a cidade e seus limites não vão além da Igreja do Rosário, cujo baldrame repousa nos ossos dos pretos escravos; e a Igreja do Galo, sentinela muda a resguardar apenas o sossego das moitas.
No Cantão das Gameleiras, os barnabés conversam os últimos assuntos do Império de Dom João. Será depois a Praça da Alegria, a dez passos do Beco, atual Praça Padre João Maria.
A sagrada jumenta do padre fez xixi no Beco da Lama, batismo muar abençoado saecula saeculorum. Pixinguinha pisou no Beco seresteiro e este ficou melódico, chorão, cada vez mais carinhoso.
No Royal Cinema, fins do Beco, a sessão só começa quando DonAna Cascudo chega.
Tal qual muçulmano que visite Meca uma vez na vida, todo natalense deve ir ao Beco libertário, Beco pai das ruas do mundo todo.
No Beco da Quarentena não tem lama, mas no Beco da Lama ninguém fica quarenta dias sem vê-lo, atravessá-lo, atraído por sua estreiteza, espremido que é entre calçadas e platimbandas.
Becodalamenses: para todos, a Jitanjáfora favorita do Príncipe do Tirol: Larin! Toré! Babá!
Canção para o Bar de Nazi
Newton Navarro
O balcão ancestral
Portal corroído
Laje assimétrica
A parede sem cal
Panarias aranhas
- Fio medieval.
Fissuras do tempo
Na pintura mural
Geométricas formas
Duma mão fantasmal:
Riscado noturno
A carvão sideral
Caju e "batidas"
Talhadas macias.
Volutas de frutos
A vida em fatias.
Natal, 1970
À sombra de frondosas árvores, os Cantões
Antônio Fagundes
Dani: - Deixô mandar um beijinho pra turma do Beco, Paparazzi!
Os costumes de uma época enraízam-se de tal modo no espírito humano que se tornam uma característica.
Somente a evolução através do tempo poderá tornar-se agente transformador, substituindo os antigos por novos hábitos, na sociedade.
Em sua residência, o Vigário Bartolomeu costumava receber os amigos, à tardinha, na calçada, à sombra da própria casa, segundo hábito daqueles tempos em Natal, cidade provinciana. Ali, eram dispostas cadeiras constituindo as tradicionais “rodas” para as “prosas”, hoje denominadas “bate-papos”, as quais se prolongavam até certas horas da noite.
Essas “prosas” eram comuns nas calçadas das principais residências da cidade, ou à sombra de frondosas árvores existentes nas praças, destacando-se a do “Cantão da Matriz”, sob majestosa gameleira da Praça da Alegria, hoje padre João Maria, próxima à Matriz, e a da “Botica”, situada à rua do Comércio, hoje rua Chile, formada na farmácia do Dr. José Gervásio de Amorim Garcia, político em evidência naqueles tempos. Eram elas os pontos de reunião dos principais da terra, onde se tratava de assuntos de interesse político-sociais.
No “Cantão”, reuniam-se os que obedeciam à chefia política do padre João Manoel de Carvalho, sendo freqüentadores assíduos, além de outros, o comendador Joaquim Guilherme de Souza Caldas e o coronel Felinto Elísio de Oliveira Azevedo. O da “Botica” era chefiado pelo Dr. Tarquínio Bráulio de Souza Amaranto. Nele, encontravam-se os Garcia – José Gervásio de Amorim Garcia, proprietário da farmácia e parentes, inclusive Francisco Amintas da Costa Barros.
Nessas “rodas”. passavam-se em revista os acontecimentos da cidade e do país, sociais e políticos, quando não constituíam mero passatempo entre amigos, no relato de anedotas, na decifração de charadas ou tornando-se oportunas para as partidas do jogo de gamão ou de dama.
Os casos políticos eram nelas ventilados, analisados, discutidos e consertados os planos, enquanto (...) surgiam os planos para os conluios político-partidários. Dir-se-ia que elas bem sintetizavam a vida social da cidade. (...)
In O Vigário Bartolomeu (Traços Biográficos). Natal, 1976
O carnaval na Rua da Palha
Umberto Peregrino
Quando comecei a me entender de gente, o carnaval de Natal era na rua da Palha (hoje Vigário Bartolomeu), no trecho compreendido entre a rua Ulisses Caldas e a praça do padre João Maria. Instruirei os que não conheceram Natal desse tempo. Era um trecho de uns 300 metros, em moderado declive, as casas todas residenciais, distendidas inteiriçamente no alinhamento da rua.
As janelas numerosas, à razão de cinco ou mais por casa, eram observatórios privilegiados e ficavam sempre repletas. À calçada, punham-se cadeiras que dilatavam a área de conforto dos moradores da rua da Palha...
E, assim, brincava-se uma brincadeira quase inocente, que consistia em circular rua acima, rua abaixo, distribuindo confetes e seringadas de lança-perfume. Quase todos procuravam acertar o jato de lança-perfume na vista uns dos outros, pelo que as crianças se apresentavam em geral protegidas com uns óculos tipo aviador.
Havia abundância de mascarados com a preocupação do engraçado. Podia ser que nem sempre despertassem o nosso riso abundante, mas bem que mereciam uma comovida admiração esses bravos foliões. Como deviam padecer sob as cômicas caracterizações que escolhiam: às vezes, conduziam objetos mortalmente incômodos; outras vezes, afivelavam máscaras martirizadoras como enormes cabeças de bichos; por vezes, ainda, enfiavam roupas antigas, pesadas e sujas, sob as quais suavam em profusão. E havia, também, os que adotavam disfarces raciais e, então, se tisnavam densamente.
Sinceros e resolutos foliões! Para eles, o carnaval era uma breve oportunidade em que podiam dar vazão a sua sopitada vocação crítica.
O que havia, porém, de mais expressivo no carnaval de Natal ao meu tempo de menino, era o misterioso “Zé Pereira”. Misterioso, sim, porque provinha de um clube de rapazes da sociedade, os quais saiam à rua uma única vez por ano, no sábado de carnaval, à meia-noite. Partiam do Natal Clube e percorriam toda a cidade num bonde especial, que, àquela época, os automóveis eram raros e precários.
Lá em casa, os meninos eram postos a dormir na hora do costume, às 7 horas, mas, em verdade, ficávamos numa vigilante excitação íntima. Até meia-noite, todavia, o sono já nos havia vencido, de sorte que quando estalavam os clarins do “ Zé Pereira” e o bonde se movimentava na nossa rua, bem perto do Natal Clube, éramos levados à janela tontos de sono, olhos pesados, mente turva.
O “Zé Pereira” passava rapidamente, era uma imagem breve e confusa. O que se prolongava era o ressoar da sua música; era, sobretudo, o bombo predominante. E durante os três dias, todos entoavam os versos do “Zé Pereira”:
“Viva o Zé Pereira,
Que hoje à rua sai.
Quem não come, cheira;
Quem não tomba, cai:
Zimbararal! Zimbararal!
Viva o carnaval!
In Crônica de uma cidade chamada Natal. Editora Clima. Natal/RN, 1989.
EVOCAÇÃO DA CIDADE DO NATAL
José Bezerra Gomes
Beco da Lama, o maior
do mundo,
tão grande que parece mais uma
rua...
Cidade do já teve, de boêmios
seresteiros,
que não alcançei...
Lourival Açucena (Lorênio),
o poeta Ferreira Itajubá,
regressando, de manhã, cedinho,
das últimas noitadas,
cheias de serenatas,
lapinhas e pastoris,
vestido de fraque, segundo dizem,
com uma enfieira de caranguejo
dependurada no dedo da mão,
ali na antiga feira da Tatajubeira...
Onde estão os teus vendedores de
vendagens?
-rolete de cana...
-tapioca de côco...
-cuscuz de milho...
-bolo de pé de moleque...
E os teus turcos prestamistas?
que se foram das Rocas e do
Alecrim,
com os seus baús de miudeza,
para a Rua das Lojas
da Ribeira, Cidade Alta...
Cadê o teu Porto do Padre?
de-frente do Paço da Pátria,
com os teus canoeiros,
com os teus boteiros,
com as tuas negras louceiras
lá de Barreiros...
-urinóis...
-xícaras...
-mealheiros...
tudo era feito de barro...
Em todas as bodegas,
para todos os paladares,
bastavam dois vinténs de
meladinha,
com parede de camarão...
Nos domingos, dias santos,
apanhava-se caju, madurinho,
no tempo das matas ensombradas
das Quintas e do Goitizeiro
com muita fartura de
-cajá...
-mangaba...
-pitomba...
Do Canto do Mangue,
das salsas águas do Potengi amado,
abriam velas os teus Jangadeiros,
para, lá fora da costa, em alto mar,
ferrarem os peixes de linha:
-xaréu...
-cioba...
-cavala...
E os teus becos, Natal, tão teus?
-O Beco da Tatajuba,
ali pertinho do velho Cais da
Praticagem,
ali pertinho do velho cais Tavares de
Lyra
(com um ipsilon)
lembrando velhos embarcadiços,
um dia ancorados no teu porto...
-O Beco do Engole, de nome tão
gozado,
sem falar no Beco da Lama, o maior
do mundo,
tão grande que parece mais uma
rua...
Natal, cidade do já teve,
te-queremos assim mesma,
com um palácio que já foi
presidencial,
onde passou a funcionar o Wander
Bar,
em plena Rua do Comércio...
Natal, te-queremos com todos os
teus recantos:
a Areia Preta, o Areal, a Limpa.
com a Fortaleza dos Três Reis
Magos...
Lagoa Seca,
a Bica da Telha, a Baixa da Coruja...
O Carrasco,
o Cemitério Novo,
transformado, até bem pouco
tempo,
num grande campo de futebol...
NEM BEM NEM MAL-ME-QUERES

- Esses candidatos de chapas idiotas não vão dar nem para a entrada contra a minha chapa Movimento Anarquista Nada. Coisa mais troncha essa estória "quem é do bem"! E professor Bira é do Mal?


Apelido é assim: se chamar e o cara queimar ruim, começa a circular, circular, circular.
Chamaram-no de Letícia, sei lá porque, talvez pelo diadema que prende seus cabelos, e ele nem ligou. Depois, veio novo apelido, posto que dono de bar nunca se livra das pilhérias dos bêbados que vai deixando pelas mesas cheias de garrafas vazias: Siquilhim. Ou seria o efervescente e vitamínico C Ceklim?
O fato é que, dizem, uma turma andou por Caicó e lá deparou-se com personagem folclórica da cidade e alguém percebeu semelhança fisionômica.
E não deu outra: de Letícia a Siquilhim foi um pulo.
No Festival Gastronômico do Beco, o Pratodomundo, anunciados quatro pratos finalistas, o melhor percurso para a Comissão Julgadora era iniciar a degustação final pelo Bar de Nazaré.
O ponto etílico da Cel. Cascudo fervilhava, como, aliás, todo o Beco da Lama e suas adjacências.
A comissão entra e ninguém do bar acena com um Boa Tarde ou coisa que o valha, Nazaré enfurnada na cozinha, sem nada perceber.
- Siquilhim, a Comissão Julgadora está aí para o deguste final...
- E eu com isso? Ela que espere, porque estou ocupado, atendendo outros fregueses.
- Siquilhim, é a Comissão julgadora do Pratodomundo, homem de deus! Arrume aí uma mesa para o pessoal.
- Para mim, são todos iguais...
É claro que o quesito atendimento conta pontos para julgamentos dessa natureza.
Passada a festa, primeiros colocados ficando para Mãinha, Seu Pedrinho e Nazaré, esta inconformada com o terceiro lugar, Dunga chega ao bar e proclama:
- Por mim, o terceiro lugar ficaria com Lula Belmond, do Bardallos; o quarto com Dona Francinete e só o quinto lugar eu daria ao Bar de Nazaré... O atendimento aqui não tem sido dos melhores, com esse menino dando coices em todo mundo: bruto como Nasi e extemporâneo em suas respostas descabidas como Pedro Abech. Uma mula a distribuir impropérios a todo mundo, julgando-se o gênio da humanidade, como Franklin Serrão.
Da mistura, saiu novo apelido: Nabech. Combinação de Nasi com Abech.
E, esquecido de Letícia, Siquilhim agora queimou ruim.
- Nabech, me traga uma outra dose!
- Nabech o quê, filho da puta! Vamos acabar logo com isso, enquanto não dou um bofete num!
- Nabech, sai aí um carneirinho tipo à la Salão (Sales Felipe): magro, só no osso...
Enquanto o silêncio da Hora do Ângelus é interrompido pelo espocar dos rojões em comemoração ao início da festa de Nossa Senhora da Apresentação, nossa padroeira de Natal, Nazaré vem do balcão à rua, onde está nossa mesa, e inicia intimidativo carão:
- Lá em casa, nunca permiti que se apelidassem as pessoas. Isso é falta de respeito, falta de educação. Paulo Eduardo mesmo, quando era menino, não gostava quando o chamavam de “Circular”. Foi difícil convencê-lo de que essa coisa de apelido é apenas brincadeira. Brincadeira, mas que irrita as pessoas, não sendo, portanto, coisa para gente civilizada.
E voltou para a cozinha de cara amarrada, mais amarrada do que a de Nabech, o enredeiro, enquanto o apelido começava a circular, circular, circular...
Alex Lemos

Em entrevista à revista Época desta semana, o ex-superintendente do Banco Rural, Carlos Godinho, disse que os empréstimos de R$ 55 milhões da instituição para o PT foram feitos para não serem pagos. Segundo ele, os supostos empréstimos só teriam sido firmados para mascarar a entrada de dinheiro que viria de outras fontes.
Globo Online/CBN
Danielli Christinni

Bar de Nazaré, 5.11.05, IV etapa do II Pratodomundo
FREUDAM-SE
MEU EGO ESTÁ EGOÍSTA
DE TANTO SER ALTRUÍSTA
MEU EGO PERDEU-SE DE VISTA
PRECISO ENCONTRAR
O EGO CENTRO DE MIM?
É, EU NÃO NEGO
LEGO MEU EGO
ATÉ O FIM
Mário Henrique
ASSIM NÃO
SIM EU NÃO SEI DIZER NÃO
NÃO EU SÓ SEI DIZER SIM
SIM NÃO ME DIGA NÃO
NÃO NÃO ME DIGA ASSIM
QUE EU SOU UM SIM E UM NÃO
EU SÓ NÃO SEI DIZER SIM E NÃO
SIM EU PRECISO DIZER TALVEZ
NÃO TALVEZ NÃO SEJA ASSIM
EU SÓ QUERO PREFERIR
SER UM NÃO OU UM SIM
Mário Henrique
IN VOCÊ
IN MIM
IN NÓS
EXISTE UM IN CONTRO
QUE IN SISTE ACONTECER
NOS INS TANTES + OUTs
Mário Henrique
TODOS OS DIAS MORRO
EU MORRO ACIMA
EU MORRO ABAIXO
MORRRENDO ASSIM
SEPULTO A SINA
DE TER FIM...
Mário Henrique
PARALELA
DESAFIANDO A GEOMETRIA
QUEM SABE A GENTE
SE ENCONTRA AO FINAL DO DIA
Mário Henrique
QUEM COMPUTA SE ENVOLVE
COM VÍRUS SERÁ FERIDO...
Mário Henrique
FRITOS, COZIDOS, MEXIDOS OU HAMLETS
AS APARÊNCIAS EXCLAMAM
TER OU NÃO SER
EIS A EQUAÇÃO
HOJE SHAKESPEARE
SERIA FACÇÃO...
AS EXPERIÊNCIAS ENGANAM
SER OU NÃO TER
EIS A FRAÇÃO
ONTEM SHAKESPEARE
ERA DEUS E EXCOMUNHÃO...
AS EXISTÊNCIAS EMANAM
SER E NÃO SER
SERÁ A QUESTÃO
AMANHÃ SHAKESPEARE
VIVERÁ OU NÃO...
CARNE E ALMA
O OVO E A GALINHA
DIGA-ME SHAKE
EU TENHO OU TINHA?
NUNCA SEI SE HEI DE SER
OU PARECER SER ALGUÉM
SOU SÓ PALAVRA FERINDO
UM HOMEM SEVERINO
PORQUE HÁ MORTE E VIDA ALÉM
PORQUE A MORTE E A VIDA
SE VÊ INDO
SE VÊ IND
SE VÊ IN
SE VÊ I
SE VÊ...
Mário Henrique Araújo

Beco da Lama:
Buchada da Mãinha vence festival
Tribuna do Norte
Fim de Semana
11/11/05
O II Festival Gastronômico do Beco da Lama terminou no fim de semana passado com a missão cumprida: chamou atenção sobre o velho logradouro da Cidade Alta, e evidenciou a culinária dos botecos nordestinos. O prato vencedor não poderia ser melhor exemplo disso: a buchada sertaneja do Bar da Mãinha ganhou com louvor o “Prato do Mundo” 2005, seguida pelo baião-de-dois com sardinha ao molho de tomate do Bar do Seu Pedrinho (segundo lugar), e pelo carneiro com macaxeira do Bar do Nazaré (terceiro).
A “Mãinha”, Francisca Patrícia do Nascimento na carteira de identidade, não vê dificuldades na hora de fazer sua buchada. “É um prato do sertão. Vejo minha mãe fazendo ele desde pequena, foi com ela que aprendi”, conta a cozinheira, que nasceu em Natal, mas viveu boa parte da vida pelo interior, de Macau à Mangabeira. Para a buchada vencedora, Mãinha conta que não existiu nenhum segredo especial: temperou com alho, pimenta, cebola e cheiro-verde; pegou o picadinho interno do cordeiro (tripas, coração, etc.), costurou (com linha) e levou à panela. Simples assim, e agradou em cheio.
A buchada sertaneja não é um prato do dia a dia no Bar da Mãinha, portanto, ela recomenda ir apreciá-lo aos fins de semana. De fato, voltar para trabalhar após fartar-se com uma buchada não é muito prudente. Já com cinco anos desse ponto no Beco da Lama, a cozinheira não vê dificuldade em trabalhar com a ‘pesada’ buchada. Para ela, o único problema é o consumo da iguaria sertaneja: Mãinha não gosta de buchada. Segundo Eduardo Alexandre, diretor da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama, o resultado do festival foi ótimo. “Ficamos surpresos. Veio mais gente do que esperávamos, e boa parte nem era de freqüentadores do beco. Prova que a Cidade Alta ainda tem seus atrativos”, afirma.

Secretário de Turismo Fernando Bezerril
degusta a Maria Boa no Pratodomundo
FOTOS DO PRATODOMUNDO NO
http://groups.yahoo.com/group/becodalama/

Eduardo Alexandre, diretor executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências
Em nome da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências, aproveito o espaço deste Alma do Beco para agradecer a presença de todos e todas que prestigiaram o Pratodomundo - II Festival Gastronômico do Beco da Lama e também a todos e todas que tornaram possível a sua realização, em especial, a Eduardo Viana, da Agência Cultural do Sebrae, Amélia Freire, da Fundação José Augusto, Fernando Bezerril, da Sectur, Dácio Galvão, Capitania das Artes; pessoal da Sensur, Semurb e Urbana; a todos os músicos que animaram o evento; aos que participaram das Comissões Julgadoras; os que trabalharam nas peças gráficas; pessoal de som, palco e documentação; bem como todos os proprietários dos estabelecimentos que acreditaram e se dedicaram para o sucesso do mesmo e; a decisiva contribuição da mídia espontânea - jornalistas de rádios, TVs e jornais.
A todos e todas, os agradecimentos da SAMBA e a certeza de que juntos estaremos novamente no IV Carnabeco, a realizar-se no 3 de dezembro; e em nosso maior desafio do ano, que será a realização do I Reveiom do Beco da Lama e Adjacências.
A todos e todas, mais uma vez, os nossos muitos obrigados.
Eduardo Alexandre
Karl Leite

Mãinha e Nélio (Bar de Seu Pedrinho), respectivamente com a Buchada Sertaneja e o Baião-de-dois com Sardinha ao Molho de Tomate, ganharam o primeiro e o segundo prêmios do Pratodomundo 2005.

"Faz cinco meses que as CPIs estão funcionando, vão continuar funcionando da forma mais democrática possível e o resultado vai ser bom para o povo brasileiro."
Luiz Inácio Lula da Silva
Karl Leite

A buchada sertaneja, do Bar de Mãinha, foi a vencedora do Pratodomundo. O prefeito Carlos Eduardo provou e aprovou a culinária do Beco da Lama.
Meu querido Dunga,
Hoje acordei com uma dor de cotovelo danada.
Como não queria passar o dia pensando no Prato do Mundo, resolvi passear no China Town, ouvindo só chinês. Era chinês para todos os lados, não entendia nada que eles diziam, nem eles entendiam nada que nós perguntávamos. Parecia um país dentro de outro país: impressionante! Eles se agrupam e se multiplicam e aqui vivem sem precisar nem saber falar inglês. Nunca sabemos se eles estão alegres ou tristes, mas adoro passear pelo China Town. É tudo muito colorido. As lojas/mercados/bodegas têm de tudo que você possa imaginar. Eles gritam, fazem caretas e, depois de passear, passear, olhar, olhar e comprar um buda para me dar sorte, um vestido chinês pra Juliana e um saco de seeweed (aquele sargaço verde para fazer sushi), entrei num restaurante e pedi o cardápio. Tudo em Mandarim. Então, apontei para um dos pratos e aí veio, fumegante, uma sopa verde, cheia de uns pasteizinhos molinhos e brancos, recheados de camarão. E ali imaginei estar comendo um Prato do Mundo, acompanhado de uma Azuma Kirim, mas quase morro de rir quando Juliana disse:
- Mãe, prefiro uma buchada de bode!
Beijos, aguardando as fotos.

Dália
P.S.: Ao cruzarmos uma das ruas do China Town, de repente escutamos uma banda tocando. Olhei de longe e deu pra ver os músicos. Aí imaginei: lá vem os Muitos Carnavais (com o Príncipe Charles e Camilla), mas depois olhei novamente e era um enterro que passava. Quis ficar mais, escutando a banda que se aproximava, porém Juliana me puxou e disse ansiosa:
- Mãe, vamos procurar minha roupa chinesa!
O sol estava lindo. Quando pegamos um táxi pra voltar pro estacionamento, o motorista olha pra gente e pergunta:
- Vocês são brasileiras?
Karl Leite

Mãinha recebe do prefeito o seu Pratodomundo e o prêmio de R$ 600,00.
O Bar de Seu Pedrinho ficou em segundo lugar e o Bar de Nazaré em terceiro.
Jorge Luis Borges
Neste sábado, final do Pratodomundo, com Romildo Soares no show "Na rota de Amsterdã" e Banda Rosa de Pedra.
Mais todas as iguarias do cardápio becodalamense e os "Muitos Carnavais" nas adjacências, levando milhares de pessoas ao velho centro de Natal.
Imperdível!

Bom demais ouvir isso. “Último Dia”. Sim, claro, Levino fez lá, em e para Recife, mas, e o kiko? Importa é que Zé Meneses e Duda (esse é o cara!) inventaram de eternizar essa coisa que não deixa ninguém parado (du-vi-de-o-dó), e tome sopros e metais e caixas e pratos e taróis. E tudo aqui, não lá (é lá, vá lá. Mas é aqui). Porque aqui é que eu vejo o Beco. E se eu vejo o Beco, completa é minha vida. Pan-pan-pan-paaaan. Com vocês, Leões Potiguares. E lá se me vou eu — parece até que me antevejo: Nazaré, Vigário, São Tomé, Juvino Barreto, Pç. Augusto Severo, Duque de Caxias, em pleno Pratodomundo e Muitos Carnavais, tudo junto, “o mundo todo!”: Ribeira! — e eu ali, marcando o passo singrando o espaço com o braço, ali, perto do 1º surdo — Camilo, tio de RN — milhões de frevos à mente: Valores do Passado (Último Dia), Evocação nº 1 (Último Dia), Madeira que Cupim Não Rói (Último Dia!), Terceiro Dia (não! Último Dia!!). Coisa muito boa. Tadinhos de nós, “papas”, indo buscar o longe axé, quando o frevo de perto, de perto nos espreita e assalta e toma. Eu quero é que hoje seja um sempre. Quero a minha boca para sempre em tua boca. Quero o meu Beco para sempre Beco.
AC, no passo.

Hugo Macedo

O Beco da Lama II, de Amir Massud
Hugo Macedo

Raul da Alcatéia

“A acareação confirmou que R$ 30 milhões teriam ido para o PT e R$ 25 milhões para os aliados. Temos alguém assumindo que autorizou o pagamento, Valério admitindo que pagou e beneficiários reconhecendo que receberam. Independentemente dos valores, está caracterizado o crime.”
Rodolpho Tourinho (PFL-BA), subrelator de movimentação financeira da CPI do Mensalão.

Nos Lagos do amor
Para o meu Leléo
Nos lagos,
nos rios de amor
que te encontrei
te amei.
E gostei.
Hoje, as coisas são diferentes:
são diferentes as flores
as rosas
do nosso jardim
Para te amar outra vez,
basta lembrar o beijo que te dei,
esse beijo de saudade
do amor que a ti devotei.
Nossas vidas, sei
merecem um novo encontro.
Aquele amor que te dei
Foi, de todos,
o mais sincero: amei!
Gardênia Lúcia
Um novo talento assoma
- seu nome é Gardênia Lúcia
Ninguém por cá mais embroma,
Meméia que se precate,
Bob Motta não é mais vate
- um novo talento assoma !
É uma mestra no idioma,
e competente na astúcia...
Vai por fim à nossa súcia,
quem for poeta aqui some...
Querem saber quem, o nome ?
- seu nome é Gardênia Lúcia !
Laélio/2005
O BECO DA LAMA III
O Beco da Lama Três,
faz chorar e faz sorrir.
A emoção se mistura,
relembrando Baltamir.
Seu Almeidinha e os fuxicos,
as lembranças de Titico,
e a saudade de Nazir.
A risada de Vicente
Enfermeiro, e Diomar.
Severino Gonorréia,
bebum, sem poder falar.
Com seu charuto bonito,
o Doutor Manoel de Brito,
sorrindo prá se lascar.
Veca das motocicletas,
biritando sem parar.
Desde o tempo do Oásis,
lacrimejo ao relembrar.
Nosso Maínha soprando,
seu sax melodiando,
no velho Codorna Bar.
Seu Rubens filosofando,
criticando a cretinice,
já respondia irritado,
a qualquer idiotice:
Tenha santa paciência;
não venha com inteligência,
deturpar minha burrice.
Nosso Beco é mesmo um mundo,
concordo com o parecer.
Cultura em "banda de latra",
prá emprestar, dar e vender.
E na expressão da verdade,
eu tenho a felicidade,
de no Beco, conviver...
Bob Motta
Mellisa or Hoffman?
Fazia tempo que ele só pensava nela, dia e noite, como um vício. Estava ficando preocupado com a sua sanidade mental, mas desde que acessara aquele site feminino e lera os contos eróticos de Mellisa Hoffman, não parava de pensar, de fantasiar um encontro e de imaginar como ela era fisicamente. Às vezes, na rua, via alguém com as características relatadas nos textos e sonhava com ela. Não tinha mais paz. Sua vida se restringia ao trabalho de repórter de TV, num programa voltado para o cotidiano e fatos policiais da cidade numa grande emissora e imaginar a escritora.
Um dia, entrevistando uma certa Milena, errou o nome duas vezes trocando pelo nome de sua amada. Depois disso, tomou uma decisão: iria conversar com os seus dois melhores amigos, o escritor Charles Phelan e o jornalista e também escritor, Cid Augusto. Marcou no tradicional Bar do Ku, num sábado. Queria se abrir. Talvez fazendo isso – pensava – consiga me livrar dessa perseguição mental, desse amor que está me levando a loucura e provocando até novas alergias!
No bar, não demorou em abrir seu coração, com muito entusiasmo. Tanto, que relatou até alguns momentos mais íntimos de suas fantasias com a sua amada escritora, dizendo que por mais de duas vezes havia até sentido um grande prazer sexual. A velha masturbação.
Durante o relato era evidente o desconforto de Charles, que em nenhum momento se manifestou, enquanto o jornalista Cid Augusto parecia se divertir com a história, participando com prazer dos sonhos libertários do repórter, que entre outras coisas, disse que não poderia morrer sem conhecer a “escritora mais sensual da história da internet”.
O tempo passou. Mais de três anos. Durante esse período os três amigos sempre se encontravam para umas cervejas nos fins de semana, sendo que vez por outra o nome de Mellisa Hoffman vinha á tona. Aí, o repórter não se controlava e falava horas no seu amor secreto. Até que um dia, quando os três bebiam, coincidentemente no Bar do Ku, Cid Augusto não se conteve:
- Amigo, eu não agüento mais. Desejo lhe dizer que conheço Mellisa Hoffman há muito tempo e somente não lhe apresentei por falta de coragem.
O apaixonado não se conteve de curiosidade, remexeu-se na cadeira. A conversa tomava um rumo absolutamente novo. Perguntou:
- Faltou coragem por quê? - disse quase irado, desconfiado.
Charles olhava as mangueiras floridas do mês de outubro, olhar distante, quando Cid Augusto, suspirando em busca de coragem, relatou pacientemente:
- Você sabe, amigo... Na internet ninguém se identifica. Você lê a coisa, mesmo num site feminino, mas não sabe quem escreveu, ou melhor, não sabe se é homem ou mulher, ou até mesmo um travesti...
- Espere! - gritou o repórter - o que você está querendo me dizer?
- Bem... Eu quero lhe apresentar Mellisa, ou melhor, Hoffman, ou melhor ainda, Charles Phelan. Aperte a mão dele Charles...
Dedé, o garçom, correu para acudir o experiente repórter, que desmaiado, com olhos abertos fitava o céu como se ele tivesse caído de uma vez em cima dele.
Leonardo Sodré

“Só reformas política e da cultura política nos livram desse pântano, onde todos os grandes partidos afundam.”
Chico Alencar, deputado federal PSOL/RJ
Hugo Macedo

Fotos do Pratodomundo 3ª etapa no
http://groups.yahoo.com/group/becodalama/
Mensagens: 26518, 26519, 26522, 26532 e 26538
O Beco da Lama II
Este beco que acolhe a todos
Que acolhe o ébrio
A prostituta
E o louco
Este beco que acolhe a mim
Este poeta sem rumo
Com esta angústia sem fim
Este beco
Em que a urina não fede
O vômito não perturba
E o escarro não enoja
Este beco
Onde todos são iguais
Seja cristo ou satanás
Este bendito beco
Onde tudo é permitido
Onde nada é proibido
Este beco
De todo santo dia
Que ingere taras
Gemidos
E agonias
Este beco
Não é somente um beco
é um mundo, talvez
é um gesto que nos comove
é uma mão que nos acena
é um olhar que nos acolhe.
Natal, Cidade da Claridão,
em 18/05/90
Amir Massud
Laélio para presidente. Dá Samba.
Karl leite
Você tá doido Karl Leite ?
não me rogue uma praga dessa
Meu amigo, me respeite,
eu sou um bosta, um palhaço,
não danço nesse compasso
- você tá doido, Karl Leite ?
Cure a ressaca, se deite,
se cure, faça promessa,
na cuca bote compressa,
tire as fotos das bonecas,
das caídas das munhecas
- não me rogue uma praga dessa !
Laélio/2005
Laélio, pra Presidente,
dá samba, pisando em brasa
Do beco, lugar ardente,
com fogo pra todo lado,
em golpe, foi decretado,
Laélio, pra Presidente!
Na mão direita, um tridente,
empunha o chefe da casa,
- saiu da linha, ele arrasa!
E ferra e cutuca e fura!
- A história da diabrura
dá samba, pisando em brasa...
Meméia
Laélio pra presidente
dá samba ou dá carnaval
Em um beco adjacente,
ao som de uma batucada,
saudou, a turma animada,
Laélio pra Presidente!
Brindou-se com aguardente,
houve um grande bacanal,
rolou sexo, o escambau...
- a farra foi boa à beça!
E uma festa como essa
dá samba ou dá carnaval!
Meméia
Feiticeira, não esquente,
beba menos meropéia.
Da cuca tire essa idéia:
“Laélio pra Presidente” !
Sou tido por indecente
- quem sou eu prá ser rival
dessa gente angelical ?
- Se eu entrar nessas disputas
só vou ter voto das putas
- dá samba ou dá carnaval !
Laélio/2005

"As especulações contidas em revista semanal, divulgadas neste sábado, não passam, como em outras oportunidades, de fantasia."
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Jacques Wagner
Émerson Amaral / TN

Ginásio Sylvio Pedroza
Noite de Verão
Silêncio aberto
Assustador
Sussurra nos ouvidos
Frases de amor
Propaga arrepios
Congelados de pudor
Fala manso, fala grosso
Fala ardente
Embriaga, intimida
entorpece
Deliro,
acordo,
sorrio extasiada
Foi um lindo pesadelo.
Deborah Milgram
Amar-se é Essencial
É preciso abluir, por catarse,
a indiferença e frieza d’alma.
Pois: se penso, sinto;
se sinto, faço
e, se faço, vivo!
E assim introjeto no intimo do ser
amor, compaixão,
alegria e equanimidade.
Todavia, se amar é importante,
amar-se é essencial.
Urge, ainda, compreender que
“sem amar ao eu da platéia
jamais amaremos ao eu do palco”.
Robério Matos
A visita do Minas Tênis – I
A manchete de “O Poti” era destas que dizem tudo: “O Sylvio Pedroza precisa de reformas”. Ilustrando-a, uma foto e nota ainda mais elucidativa, “o ginásio está estragado”.
No corpo da matéria, como convite para missa de 7º dia, o professor Geraldo Araújo lamentava que a diretoria do Atheneu nunca tivesse se preocupado com a situação do ginásio. E aludia que, sem reformas, principalmente nas arquibancadas e vestiários, seria difícil sediar ali jogos dos JERNs.
O Recorte
Eu que não sou de recortar jornais – tanto que escrevi e nada tenho guardado – desta fez fiz exceção. Guardei-o principalmente pelo que se seguia. Que, se assim mesmo os alunos do colégio estadual desejassem, o ginásio seria aberto para partidas de vôlei e futsal. Mas que, geralmente, os alunos, quando liberados das aulas, preferiam ir para casa a assistir jogos.
A inauguração
A notícia me doeu. E lembrei-me das festas de inauguração, bote trinta anos nisto. Como era o presidente da Federação Norte-riograndense de Basquete _ FNB, fui convidado por Sylvio Pedroza para organizar a parte esportiva. Então, em nome do governador, convidei o Náutico Atlético Cearense; o Astréia, da Paraíba e; o Jet Clube, do Recife. Como representantes do RN, o Santa Cruz e a AABB.
Parece que estou vendo aquelas noitadas. Cinco seguidas, com casa cheia, o público orgulhoso da praça de esportes, a primeira coberta do Norte e Nordeste. Lia a inveja nos olhos dos cearenses, paraibanos e pernambucanos. Na parte da tarde, um torneio estudantil.
Sylvio largava-se do palácio e vinha confraternizar com os estudantes. E toda vez que ele aparecia, tome palmas. Ele fazia que não queria, que estava ali como simples assistente, mas quem não gosta de aplausos?
O Torneio de Lance Livre
Na semana que antecedeu ao 27 de julho de 1954, toda noite uma patota ali se reunia para presenciar os retoques finais. Na noite que foi colocada a primeira tabela, Sylvio pediu uma bola e desafiou os presentes para um torneio de lance livre. Lá estavam Felizardo Firmo de Moura, um dos próceres da UDN, Antônio Soares Filho, deputado e líder do governo na Assembléia, Carlos Cabeção, vulgo Carlos Silva, e, se não me engano, Rossine Azevedo, que, como São Tomé, não acreditava na construção do ginásio e se comprometera a fazer um discurso, ele que nunca falara em público, o ajudante de ordens de Sylvio que não lembro o nome e Roque José da Silva, futuro administrador do ginásio, e três operários.
Pois não é que Antônio Soares, o homem das duas luas, não ganhou o torneio? Pois foi. Demonstrando que enxerga mais, vide o caso da segunda lua que ele descobriu o “viu” justamente por trás da lua de mesmo.
Juscelino
Jamais esquecerei a visita que o então governador de Minas Gerais fez a Natal. Nada mais, nada menos que JK. O ginásio, como a menina dos olhos do então habitante da Praça 7 de Setembro, não poderia deixar de ser mostrado ao ilustre visitante.
Eu estava presente porque Sylvio despachara o carro oficial nº 1 para me apanhar no escritório. Eu fazia parte do plano astuciosamente engendrado por Sylvio.
Quando Juscelino derramava-se em elogios ao ginásio, Sylvio voltou-se para mim, assim como de improviso:
- José Alexandre, que achas de um clube mineiro visitar Natal?
Cumpri o meu papel à risca.
- Sensacional! Principalmente se for o Minas Tênis com suas equipes de voleibol feminino e basquetebol masculino.
JK riu o seu riso simpático. E, em cima da bucha, prometeu:
- Pois eles virão. Quando é que vocês os querem aqui?
Cavalo dado ou prometido, não se abre a boca. Quando Sua Excelência quiser, respondi. E saí de cena.
O Minas Tênis
Dois ou três meses depois, aqui estava o Minas. Em avião fretado, com ordem de pagar todas as despesas, hospedagem, transporte, extraordinários, o diabo.
Até água mineral., eles não deixaram que pagássemos.
Sylvio me chamou e comandou:
- Faça uma recepção em grande estilo. Se a renda dos jogos for insuficiente, pode gastar que abro uma verba especial pela Casa Civil.
Na Redinha
De que é que mineiro gosta? De praia, informaram-me. Que lá, como todo o seu tamanho e riqueza, não tem.
No domingo, bem cedinho, botei os conterrâneos do homem que comprava bonde num bote à vela, no rumo da Redinha.
Doutor, quando rapazes e moças pisaram terra firme, corriam que só meninos pela beira da praia, numa alegria e um encantamento doido.
Havia convidado Zerôncio para recepcionar os visitantes no Redinha Clube. E o grande boêmio, entendido como danado na arte de receber, mostrou toda a sua competência. Eram fartas mesas de frutas regionais, de salgadinhos, de camarões, de casquinhos de caranguejo, peixe frito e peixe cozido, até lagosta. Isto, como aperitivo. Seguindo-se, uma feijoada, refrescos os mais diversos: de abacaxi, pitanga, manga, caju. E um que os mineiros gostaram muito, de limão.
Preciso doutra crônica para falar de tal refresco, a nossa famosa caipirinha.
A Visita do Minas Tênis – 2
A caipirinha
Deixei-os, semana passada, na agradável companhia da delegação do Minas Tênis Clube, na recepção oferecida pelo governador do Estado e FNB, na praia da Redinha.
Tudo a capricho. José Herôncio de Melo, o organizador, merecendo nota dez.
Assim afirmavam os rapazes das Alterosas, dando uma baixa considerável no refresco de limão, que outro não era senão a caipirinha.
Até que o médico da delegação tomou um copinho e apurou o paladar.
- Espere, este refresco não contém álcool?
E Herôncio respondeu na maior cara-de-pau:
- Pouquinho. Só pra dar o gosto.
O médico, de imediato, proibiu a turma de ingerir tal refresco.
O solzinho
Zé Herôncio me chamou de lado e piscou um olho.
- Que você me diz desta rapaziada tomar um solzinho?
Pisquei, em resposta. Em cinco minutos, os atletas estavam instalados em jipes. Com recomendação aos motoristas:
- Vão bem devagar para a turma apreciar a paisagem.
A feijoada e o frevo
Passava das 13 horas quando a feijoada foi servida. Completa, com todos os ingredientes possíveis e imagináveis. Bem gorda e pesada. Daquelas que pedem sono reparador de horas e horas para fazer a digestão.
E ainda houve uma demonstração da música regional a cargo de Euclides Lira, que trouxera orquestra, sanfoneiros, passistas, lanças-perfumes, confetes, serpentinas.
- É um autêntico carnaval nordestino, esclareceu Alcides.
E como a rapaziada gostou do frevo! Logo invadiram a quadra, dançando, pulando, procurando fazer parafuso, igual aos passistas.
Só houve um porém, felizmente não notado pelos visitantes. Na afobação da saída, Euclides esquecera o saco grande de confetes.
A preliminar
À noite, o ginásio superlotado. Na preliminar, o sexteto feminino do Minas Tênis venceu de ponta a ponta. As meninas de Dona Letícia Garcia eram graciosas, elegantes, os uniformes bem talhados, o coxame reluzindo, umas misses, simpáticas e desportivas, sabendo perder.
Só havia uma coisa: voleibol não jogavam nada.
A grande primeira vitória
Vem o embate principal. Dum lado, a escolinha de Zé Augusto, calma e disciplinada, modesta, mas confiante. Do outro lado, os mineiros, com renome nacional.
Logo nos primeiros minutos, os visitantes se aperceberam que a equipe bancária não era o pato morto da noite anterior, pobre Riachuelo, esmagado sem dó nem piedade.
Assim mesmo, ainda conservaram uma margem de quatro, cinco pontos à frente no primeiro tempo. Mas o jogo era de igual para igual.
A língua no pescoço
Do meio para o fim da etapa complementar, os mineiros estavam com a língua no pescoço, feito gravata. De pura exaustão física.
Teria sido a emoção da viagem de avião, o clima diferente, a comida outra que não a sua, o passeio de bote, o sol a pino, a caipirinha, o esforço despendido para dançar o frevo?
Os confetes
Quando se delineou no placar uma possível vitória da AABB, Euclides Lira, num estalo magistral, correu à sala da administração e, de lá, trouxe o saco de confetes. Que distribuiu às mancheias pela torcida.
Faltando segundos para terminar, o Minas vencia por diferença de um ponto. Foi quando Nilo escapou pela lateral e e deu para Gualter Sá no garrafão. Gualter deu um rodopio e encestou. 41 X 40. Não houve nem tempo para mais nada. O juiz trilou o apito final.
Delírio
A assistência invadiu a quadra em delírio, numa chuva de confetes que cobriu as cabeças de Walter França, Mosquito, Nilo, Aluísio Machado, Félix, Luís Jorge, Roberto Siqueira, Gualter, Zé Augusto e a dos reservas.
Foi a primeira grande vitória do basquetebol do RN. Que, daí por diante, seria a sensação dos campeonatos brasileiros, chegando a 3º lugar, uma glória, visto que São Paulo e Guanabara são praticamente hors concours.
Despedida
Na manhã seguinte, fui ao aeroporto despedir-me da briosa delegação. Fiz questão de apertar a mão, um por um, de diretores, atletas, massagista e roupeiro, solicitando que que transmitissem a JK os protestos de estima e consideração e os agradecimentos do governo e do povo do RN.
Quando os alto-falantes chamaram os passageiros daquele vôo especial para embarque, o presidente da delegação envolveu-me num grande abraço, ocasião em que, em nome de Sylvio Pedroza, convidei-os para nova temporada.
Ele fitou-me bem nos olhos, desfez o abraço e catapultou da carteira uns pedacinhos de papel colorido.
- Dr. José Alexandre, o senhor é um desportista organizado e muito sabido. Virei, sim, outra vez. Mas vou levando para a diretoria do clube estes confetes, para explicar como se perde um jogo por causa de confetes. Volto, se o senhor jurar que não utilizará mais confetes.
E abraçou-me outra vez. Demoradamente. Ele tinha compreendido.
Ficamos amigos e nos correspondíamos. E ele recordava Natal com carinho. Quando sabia que novos clubes por aqui jogavam, perguntava pelo trabalho de sala, pelos confetes.
Era assim que ele definia o dia passado na Redinha, o sol, a caipirinha, a feijoada, até a demonstração de frevo.
Mineiro sabido danado.
José Alexandre Garcia
Gol de Placa, Editora Clima, Natal/RN, 1992

O que preocupa é a desconstrução da democracia e da república.
Arnaldo Jabor
Júlio Pimenta

Nei Leandro, no Bar de Chico, Beco da Lama,
com humanóides de Marcelus Bob ao fundo
O OLHAR
Passei noites
olhando o espelho
para entender
o que sou
passei dias
vendo o céu
para entender
a vida
passei tardes
observando o mar
tentando entender
o porque de te amar
Diogo Sodré
O Galo Mimoso
Do Oiapoque ao Chuí
ninguém ouviu falar
história mais marcante
que a que vou lhes contar:
Aconteceu há muito tempo
no sertão do Seridó,
terra de cabra macho
que nem todos de Caicó.
Por ironia do destino
o nome dele era Mimoso,
mas de manso num tinha nada
era, sim, valente e fogoso.
Muito franzino de corpo
mas ligeiro de pernas e asas
muita gente ele enxotava
de volta pra suas casas.
De suas proezas
seu Véi César se encantava
e dona Formosa, feliz,
num sabia se ria ou chorava.
Nenhum bicho ou gente
com ele tinha vez,
pois o penudo era filho
de galo carijó e galinha pedrês.
Seu Juca, Vaca Véia,
Marreta e Besourão,
sempre assustados, gritavam:
prende o galo, Torrão!
Amorosa, paciente, acudia
Pegóba, que ofegante exclamava:
Num tenho medo de assombração
e muito menos de alma penada!
Mas veio um dia
que a todos entristeceu:
Minha gente, Mimoso sumiu!
Chorava, desolado, Zé Bedêu.
Robério Matos
NOTA DO AUTOR: Baseada em fatos reais. Acreditem!
É o Beco!
Convocado pelo jornalista Hugo Macedo, procuramos um local tranqüilo para que eu pudesse fazer umas caricaturas para o livro “Beco Estreito – Histórias e Estórias de Personagens de Parelhas”. Optamos pelo Bar de Chico, no Beco da Lama, centro de Natal.
Enquanto Hugo contava os “causos” e eu desenhava as cenas, eis que chega um homem somente de calção, descalço e completamente bêbado. Imediatamente, passou na nossa mesa e sentenciou:
- Eu sou pescador e estou completamente apaixonado pela cozinheira!
Depois, ocupou uma mesa e pediu uma cerveja. Não sem antes revelar a ela, aos prantos, que não poderia mais continuar vivendo sem a reciprocidade do seu amor, que não conseguia nem trabalhar direito, somente pensando nela, etc. A resposta da cozinheira, que ficou irada, foi mais do que rápida:
- Meu senhor, eu não gosto de quem anda descalço e tampouco de pescador!
Ele, imediatamente, se levanta e vai embora, voltando, alguns minutos depois, com uma bacia cheia de postas de peixe, entregando a ela, como se fosse o presente mais caro do mundo. Aí, ela perdeu completamente a paciência, dizendo:
- Eu já lhe disse que não gosto de homem descalço, de pescador, de catinga de peixe e nem de homem que fede a esse animal, como você!
Com lágrimas nos olhos, o pescador disse:
- Pois então espere, que eu volto já...
Continuamos no nosso trabalho, enquanto, entre boas risadas, comentávamos o surto da apaixonite aguda do pescador, quando, passados uns trinta minutos, ele retorna, vestido da cabeça aos pés, com mangas longas, calça social, meias e sapatos, tomado banho e penteado, ainda muito embriagado.
- Pronto! – ele disse – agora estou do jeito que você quer! Saiba que eu não posso viver sem você, meu amor! E me dê logo uma cerveja bem geladinha e sente aqui pra gente combinar o casamento.
Do balcão, Chico, o dono do bar, ria discretamente, quando ela, aos gritos, disse:
- Eu já lhe disse, condenado, que eu não quero nada com você! Nem vestido de ouro! Vá atrás de umas raparigas lá na Ribeira, porque nem o seu retrato eu quero ver!
As lágrimas desciam dos olhos do pescador, quando, na saída do bar, pegou os dois sapatos novinhos e jogou no telhado de uma casa comercial e foi embora, todo alinhado e descalço, ainda com as etiquetas que balançavam impulsionadas pelo vento que descia em direção ao fim do beco mais irreverente do mundo.
Leonardo Sodré
Ontem, Hoje e Amanhã
Tribuna do Norte, 30/10/05
Uma viagem no tempo. A madrugada de Natal, que ressuscita minha infância e os deslumbramentos alimentados pela percepção e imaginação de uma criança. Tudo era gigantesco: as arvores, as praças, as ruas e avenidas, as casas de alpendres e as calçadas, as igrejas e os sobrados. A cidade exalava um perfume inconfundível, peculiar e extasiante. Mistura de aromas de jasmim, margarida, dália, alecrim e do inebriante eucalipto. Em esquinas de todos os bairros, estrategicamente, vendedores de frutas incorporavam ao odor desse pomar, que envolvia a cidade, o cheiro do caju, da manga, da jaboticaba, da goiaba, da laranja cravo (agora chamada de tangerina), do sapoti e tantas outras frutas que compunham a dieta dos natalenses. Sem distinção de categoria social. Havia partilha comum de uma forma de viver.
O "grande ponto" na Avenida João Pessoa, a Praça Augusto Severo e seu estilo "belle époque", suas arvores, que pareciam espetar o infinito, a Avenida Tavares de Lyra, o cais onde aportavam a lancha de Luiz Romão e os botes que transportavam moradores e veranistas para a Redinha, a rua Dr. Barata e seu comércio tradicional, que resistiu até pouco tempo, a visão do Baldo e da subida para o Alecrim, a majestade da imagem de São Pedro no pináculo da igreja que lhe é consagrada, a antiga Praça "Gentil Ferreira", a eterna postura do rio Potengy debruçado sobre o mar, o Forte, as praias e as dunas como eram na minha infância. Tirol e Petrópolis eram especiais porque se revelavam diferentes. Bucólicos e muito mais serenos. De manhã cedo, uma espécie de névoa, fina e fria, adornava-os, mantendo nas folhas e nas flores a umidade de um orvalho que resistia até o domínio esplendoroso do sol. Mas os morros, que ainda hoje cercam a cidade, apesar da criminosa e estúpida devastação, conferiam, naquela época, aos arredores desses bairros, uma roupagem paradisíaca, fantasiosa e enigmática.
Tudo mudou muito rapidamente. A mudança não quer dizer retrocesso, atraso, descontinuidade, esquecimento. Ou revogação inapelável do ontem. Essa incursão sentimental é nostálgica quanto ao passado. Esqueceram, muito mais do que a beleza e a ternura românticas da cidade, o mais importante, insubstituível como civilização: a dimensão humana de cada um e de todos. Fragilizaram-se laços humanos antíteses de egoísmos, violências, mesquinharias, hipocrisias, cinismo, insensatez e insegurança que, infelizmente, predominam em âmbito social. Onde falhamos? Por que nos recusamos a reconhecer a trágica circunstância de que a cidade é submetida a um processo de inevitável despersonalização? Há um fenômeno universal em curso. É verdade. Mas nada impede que preservemos, apesar da "aldeia global", os vínculos com um passado fonte de humanidade, sentimentos e sonhos. Essência da alma da cidade.
As "Palavras de pórtico" de Fernando Pessoa revelam sentimentos que se hospedam na mente e no coração de todos os homens. Em qualquer lugar, cultura e ambiente. Especialmente quanto à dimensão da vida: "Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo". Esse conteúdo humano é a substância do presente que deve fecundar o futuro que sonhamos.
Cláudio Emerenciano
Cidadãos da Esbórnia invade centro da cidade
Karl Leite
Dando seqüência ao Pratodomundo – II Festival Gastronômico do Beco da Lama, Raul e Banda Alcatéia Maldita apresentam o show Cidadãos da Esbórnia, fechando a programação cultural do dia do evento, que conta ainda com show de Carlos Bem, apresentação do coral Harmus e poesia popular, com Bob Motta. A programação cultural se inicia às 14:00 horas, em palco montado na rua Vigário Bartolomeu, ao lado do Camelódromo da Cidade Alta.
Com a desistência de um dos bares concorrentes, o Bar de Zé Reeira, agora são 10 os estabelecimentos que concorrem ao Pratodomundo: Bar de Seu Pedrinho, Bar de Nazaré, Bardalos, Bar de Aluísio, Bar da Amizade, Bar da Meladinha, Bar do Chico, Bar de Odete, Bar de Francinete e Bar de Mãinha. Eles estão concorrendo a prêmios de R$ 600, R$ 400 e R$ 300 reais, para os três primeiros colocados, escolhidos por dois júris distintos: um popular e outro de especialistas em gastronomia.
O Festival será encerrado na tarde do sábado 5 de novembro, quando serão conhecidos os vencedores e entregues os Pratos do Mundo aos participantes, trabalho encomendado ao artista plástico William Galvão. Serão entregues os Pratos do Mundo ainda aos homenageados da Samba: poeta Civone Medeiros, produtora Ceiça de Lima, artista plástico Pedro Pereira e empresário gráfico Ivan Júnior, da Offset Gráfica.
Depois de visitar o evento na tarde do último sábado, o secretário de Turismo do município, Fernando Bezerril, garantiu parceria à Samba – Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências -, promotora do Pratodomundo, junto à Agência Cultural Sebrae e FJA, para a realização do I Reveiom do Beco.
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- Dorian, candidato a diretor cultural da chapa de Bira, é um tira-voto. Melhor não dizer nada e deixar ele lá, Bira cantando e seduzindo os corações, e ele, Dorian, a tarde toda em Nazaré, a desacatar o primeiro que ouse sentar em suas adjacências. Venâncio, o homem da cultura da chapa de Alex, a minha atual chapa, é, pelo menos, mais discreto que Dorian: bebe menos. Mas também quando bebe... Mas quem não bebe?
Nem se perguntou e lembrou a marchinha silviosanteana entoada por Serrão sempre que Plínio chega esbaforido, 20:30h, em Nazaré, de bicicleta, para dois dedos de ‘prosa passando’:
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- Aqui, na solidão e na inviolabilidade do banheiro de Nazaré, construo obras primas que chegam ao mundo... Aqui, projeto-me froidianamente em devaneios tritentaculares que despertam assuntos e desejos nos quatro cantos do Alembeco de Lula Augusto... Por que, pai, devo ser amaldiçoado por desejos de poderes vãos como os da Samba?
Paulo Oliveira

Diário de Natal
26/10/2005
O teatro potiguar perde a irreverência e a transgressão de Francisco Evilailson Souza, o Chico Villa, que sempre rompeu limites em busca de novas experiências cênicas. Vítima de um aneurisma cerebral hemorrágico, ele morreu por volta das 9h de ontem no Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró, onde estava internado há sete dias. A morte cerebral do ator e produtor foi confirmada instantes depois que passou mal e desmaiou no colo da mãe. A família ainda aguardava a recuperação, apesar dos médicos afirmarem que seria muito difícil. O corpo está sendo velado na capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o enterro será às 9h de hoje no novo cemitério da referida cidade.
Considerado uma das maiores expressões potiguares das artes cênicas, ele morreu no mesmo dia da semana, e no mesmo horário, no qual foi acometido pelo aneurisma na terça-feira da semana passada. Nascido em Rafael Fernandes, Alto Oeste potiguar, Chico Villa, 44 anos, era um dos artistas mais importantes e influentes do Rio Grande do Norte. Começou sua formação de ator, em 1970, no circo e nas apresentações de mamulengos nos terreiros das casas, mercados e feiras do sertão. Na década de 80 fez parte, ao lado de pessoas como João Marcelino, Marcus Bulhões, Costa Filho, Dimas Carlos e Carlos Nereu, de grupos de teatro como Esquina Colorida e Estabanada Companhia de Teatro. Grupos que se tornaram conhecidos pela inovação e pela vanguarda que até hoje inspiram atores que já atuavam naquela época, além daqueles que estão iniciando a trajetória.
‘‘Quando conheci o trabalho de Chico ele fazia parte do grupo Esquina Colorida, foi um dos seus primeiros trabalhos como ator. Depois veio o grande sucesso Quem beliscou Paulinho?. Era a história de um vampiro no divã, cheia de humor e de questões políticas do país na época. Era uma colagem de textos feita por Marcus Bulhões e por Chico que vivia a psicanalista. A peça tinha um grande time, além deles dois João Marcelino fazia uma governanta, Bulhões o próprio Paulinho, Carlos Nereu fazia direção, a música era de Danilo Guanais e a luz de Castelo Casado’’, relata diretor teatral Sávio Araújo.
Para Sávio, ‘‘Chico sempre foi muito inquieto, sempre estava em busca de um novo desafio. Era uma pessoa irreverente mas conseqüente, transgressor mas responsável. Não se conformava com os limites, buscava o novo, novas experiências. Tudo de uma forma muito saudável. Também tinha um movimento de cena muito interessante, muito particular. Eram ações que fugiam do cotidiano’’, complementa Sávio.
Chico também desenvolveu um trabalho na Companhia de Teatro de Repertório do Sesi e criou vários outros grupos teatrais, além de participar do elenco da TV Universitária. O artista partiu para o Sudeste, Rio de Janeiro e São Paulo, onde aperfeiçoou a dramaturgia junto a nomes como Eugênio Barba, Gerald Thomas, Antônio Abujamra e Denilto Gomes. Chico Villa recebeu muitos prêmios e participou de vários festivais sendo considerado o melhor ator.
Atualmente ele morava em São Paulo, mas estava em Mossoró desenvolvendo o espetáculo Benedito. Ele ficaria no estado durante alguns meses, período no qual o amigo Marcus Bulhões está na Espanha fazendo mestrado. Em seu retorno, os dois iriam se encontram em São Paulo para juntos desenvolveram um projeto na USP.
Morre o irrequieto Chico Villa
TN

Tribuna do Norte
26/10/05
Tádzio França - Repórter
Cessaram ontem pela manhã as funções vitais do ator e produtor potiguar Chico Villa, 44 anos, que estava internado há uma semana no Hospital Tarcísio Maia, Mossoró, em decorrência de um súbito aneurisma cerebral que o acometeu terça-feira passada, na casa dos pais. Após a morte cerebral já declarada pelos médicos na semana passada, os familiares estavam aguardando o falecimento do coração e da respiração.
A morte de Chico Villa gerou comoção entre colegas e amigos da área cultural potiguar. “Era um homem totalmente do teatro, ainda jovem, com muitos projetos na cabeça. Fico mais triste ao pensar em tudo que ele ainda poderia fazer”, disse Ivonete Albano, diretora do Teatro Sandoval Wanderley.
O jornalista Woden Madruga acha que o potencial de Chico não foi de todo explorado. “Poderia ter sido um ator de alcance nacional, caso a mídia tivesse sido mais justa com ele. Perdemos um excelente ator e uma grande figura”, disse o colunista da TRIBUNA DO NORTE.
O diretor de teatro João Marcelino, contemporâneo de Chico, via o amigo como um professor. “Aprendi muito com ele. Começamos juntos no grupo ‘Esquina Colorida’, nos anos 80. Em ‘Quem beliscou Paulinho?’ eu sempre observava a interpretação dele, e aprendia algo mais. Chico foi um dos grandes artistas de sua geração, e um dos pilares do movimento que revolucionou o teatro potiguar nas duas últimas décadas. É um pedaço da nossa história recente que se vai”.
“Chico construiu um trabalho de personalidade própria, de espirito transgressor, como todo bom teatro deveria ter. Ele tinha um brilho dionisíaco em sua volta, sempre muito agitado, disposto a transgredir. Chico tinha muita vivacidade, sempre foi um ‘tumulto’ ambulante, desde os 20 anos em que o conheci. Sem dúvida, o Estado perdeu um grande artista que dedicou a vida inteira ao teatro”, afirmou Clotilde Tavares, atriz e escritora.
O diretor Costa Filho, que também esteve na fase oitentista do teatro natalenese, destaca o espírito irrequieto do artista. “Chico era irreverente, irrequieto, desafiador, gostava de questionar as coisas através de temas políticos e sociais. Nesse sentido, ele foi vanguardista para a sua época”.
O produtor e antropólogo Josenilton Tavares lembrou a importância de Chico como aglutinador cultural: “Chico era uma pessoa ativa, que levantava a bandeira do teatro de qualidade. Sem sombra de dúvidas, um expoente do teatro potiguar. Mas a vida segue seu rumo, e fica a referência”.
Chico Villa nasceu em Rafael Fernandes, região do alto oeste do Estado. Iniciou a sua formação de ator nos dramas de circo e nas apresentações dos mamulengueiros nos terreiros das casas, mercados e feiras do sertão potiguar no início da década de 70. Mas foi nos anos 80 que Chico marcou época: o grupo de teatro Esquina Colorida foi considerado ousado, inovador e vanguardista no início daquela década.
O artista também passou a desenvolver seu trabalho na companhia do teatro de repertório do Sesi, em Natal, criou vários outros grupos no Estado e participou do elenco da televisão universitária local. “Migrou” para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo.
Em texto enviado por email, o teatrólogo Marcos Bulhões escreveu : “Adeus, Chico Villa. Não deu tempo de realizar o Benedito, espetáculo que você estava ensaiando, tão empolgado, o projeto multimídia que o levou de volta a Mossoró, numa última tentativa de produção no Estado que primeiro te tratou como estrela e depois te colocou no limbo dos excêntricos. Ficamos com a tua imagem otimista, apesar de todas as barreiras, preconceitos e descasos. Ficamos com o teu exemplo de dedicação integral ao Teatro, coisa rara neste país de vaidades e simulacros. Salve o ator que colecionou prêmios em festivais nacionais, salve o precursor da cena pós-dramática no RN, o performer que nunca perdeu suas raízes no circo, o melhor Comediante desta terra, em seu sentido mais amplo, o rapsodo, que tem o que dizer ao mundo. Salve o grande amigo que nos inspira. Que seus esforços pela renovação cênica não caiam no esquecimento. Que viva Chico Villa, em nossa memória.”





































Hugo Macedo©