quarta-feira, fevereiro 16, 2005

BECO: O CENTRO DE CULTURA

Hugo Macêdo
Dia de Oficina de Artes Plásticas em Nazaré

Amélia Freire

Era Sábado. Era dia. Havia sol e calor, e brisa, e poesia, e música e muita, muita gente boa. Eduardo Alexandre (Dunga) o poeta e animador, suado, suando, transpirava exalando no corpo e no jeito a nossa arte de fazer Arte. Civone, poeta e atriz, um sorriso contagiante conduzia-nos como quem leva para o desconhecido prazer de se ver, a si e ao outro, num enlace de entrelaces. Nos vimos. Nos vimos no Beco, na lama sem odor. Sentíamos, até, um cheiro de nova brisa, ventos, nova aurora. Contagiou-nos cada passo, toda a descoberta. Os olhos do Beco. Os olhos de Ceiça reluzia a cor e o gosto de tudo ali. Para surpresa, entre tudo, as pernas de Paulo Augusto surgiram como uma beleza a mais. Não sei se eles sabem, não sei se os Amigos do Beco da Lama perceberam. Eles desnudaram numa tarde o que quase tarde não percebíamos. A gastronomia, o sabor, o aroma, o zelo, o talento, o cuidado. Tudo, ali, tocava-nos como único, especial. Os artistas do Beco, A SAMBA quase sem querer fizeram o roteiro gastronômico/cultural/turístico do Natal levando aos que participaram do evento “Vem até quem já morreu” no dia 01 de novembro a conhecer-nos como que refletidos num espelho. Aqui, deste lugar, espaço de Instituição governamental e de promoção cultural não podia ver de outro modo. Não podia ser banal. Não podia ser estanque. Não podia ser isolado. Haveria de transmitir minha impressão e traduzir com o objetivo de redizer a nossa cultura, tradição, costumes e as boas iniciativas representativas. Advertiu-me o senso que o nosso papel é possivelmente, e tão somente, de tornar-se ponte, elo, ligação. Articular-se em multifaces Governo/Sociedade Civil Organizada/Povo e todos atores neste palco sem fim, efetivados num pacto de real inclusão e sobrevivência. Havia poesia na Buchada com uma “branquinha” - pedida instintivamente como quem necessita de complemento - havia um toque a mais na Rabada apresentada com esmero no Bar da Amizade, a Dobradinha, o Caldo de Feijão, a Galinha à Cabidela, A Fava de Nazaré, palpitou um sabor do sertão até no mais estrangeiro desavisado. O Arrumadinho tinha um aroma sedutor. A paçoca, o Peixe no coco, o Carneiro e a Carne de Sol selaram um roteiro aprazível e saboroso. Geraldinho Carvalho, Pedrinho Mendes, Donizete Lima, Jailton e muitos outros como representação de nossa melhor música. Plínio Sanderson um brinde poético, misturado a Galeria do Povo, a exposição de Newton Navarro – Vivo , entre Pedro Pereira, Marcelo Fernandes, Marcelus Bob, Assis Marinho, Gilson Nascimento e todos, todos aglomerados nas mesas, cadeiras, tamboretes num corredor de expressão singular. É o Centro da Cultura do Natal, o Beco. Haveremos de reeditar, reviver, recriar como quem vislumbra o ontem no hoje – um presente – do amanhã.

Coordenadora do Centro de Promoções Culturais da Fundação José Augusto, e membro do Instituto Maria Maria/IMMEC.
ameliafreire@hotmail.com

por Alma do Beco | 3:39 PM


Hugo Macedo©

Beco da Lama, o maior do mundo, tão grande que parece mais uma rua... Tal qual muçulmano que visite Meca uma vez na vida, todo natalense deve ir ao Beco libertário, Beco pai das ruas do mundo todo.

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Praieira
(Serenata do Pescador)


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A imagem de fundo é do artista plástico e poeta Eduardo Alexandre©

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